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Museu de Arte expõe gravuras do acervo

Museu de Arte expõe gravuras do acervo

Enaltecer a gravura como campo privilegiado de investigação artística, os desdobramentos das técnicas de gravação, e também provocar os questionamentos que aí suscitam, foram propósitos estabelecidos pela curadoria na seleção dos trabalhos que irão compor mostra de gravuras do acervo do Museu de Arte de Blumenau (MAB). As obras gravadas guardam uma singeleza poética só encontrada na própria linguagem da gravura.

As produções estarão na Sala Roy Kellermann, durante a 5ª Temporada de Exposições do MAB, que abre ao público quinta-feira, dia 7 de novembro, às 19h. As gravuras seguem uma pré-figura, uma figura e caminham para a abstração: a composição segue no sentido de um ritmo mais estático e estético, para em seguida reter o motivo isolado e forçar o sentido das emoções, da transitoriedade e da geometrização. As articulações incluem o vazio, a forma, a linha, a mancha e o campo que restringe e alarga sua feitura.

Os autores

Maria Bonomi grava no papel seu desejo de investigação pelo sulco. Através do corte distendido, na incisão, reforça os relevos e adentra aos espaços e abarca as cenas com cores que se deslocam do plano para o delimitado. Em suas composições o que importa são as direções rítmicas que os sulcos constroem. Num bailar de “Traço-Sulco” surge uma luz pulsante que invade o espaço.

Renina Katz enaltece o “Lugar”. Em suas composições destacam-se em variações e enfoques o espaço urbano, trechos de cidades. A invasão da luz singulariza e aproxima os percursos, enquanto a simultaneidade da forma e do espaço descrevem o preenchido e o vazio. A cor faz pressupor uma reflexão e uma contemplação da paisagem.

Roy Kellermann usa figuras e padrões geométricos para entrelaçar e guardar segredos escondidos nas formas que se desdobram e geram ideogramas. A impressão de volumes, cores e sombras sugerem ou formam novos desenhos, múltiplas realidades, universos invertidos e uma poética às janelas.

Elke Hering expõe na gravura sua forma única de expressão: a angústia de viver. O peso do cotidiano e a condição existencial exigem uma busca por um alento espiritual. Assim busca imprimir na figura humana seus traços mais densos e tensos em preto e branco, dilacerando faces que denunciam dor, mas que em espaços translúcidos e cristalinos procuram a poética da existência.

Carlos Scliar imprime o racional, a técnica e os temas recorrentes: copos, garrafas, vasos, flores, bules, partituras musicais, e os espaços se diversificam em paisagens, naturezas-mortas, retratos e até mesmo em um único objeto. Na sua rígida arquitetura, a criação de espaços vivos e intensos se enquadram e não saem dos limites. Porém existe uma luz que traça perspectivas que aperfeiçoam o espaço de composição. Muitos desses temas são objetos únicos dispostos sobre o papel – A gravura, o instrumento musical.

Juarez Machado, desenhista de grande notoriedade, fez incursões pela cenografia, ilustração, gravura e escultura. Ao produzir uma série de exposições temáticas e itinerantes, conjuntamente editava livros reproduzindo as obras de cada uma destas coleções. Diante deste detalhamento perfeccionista, cultural e temático, o artista, pintou e desenhou obras inspiradas num personagem de si mesmo, na história, na arquitetura, nos costumes e na tradição a partir de seu atelier.

Doraci Girrulat utilizou materiais diversos e inusitados. Esteve envolvida com escultura, performances, happenings, instalação, gravuras, heliogravuras e arte postal. As linguagens e a inspiração são voltadas para as lembranças que carrega da infância e que ficaram gravadas em sua mente, como os reflexos dos vidros e o mundo dos metais e químicos da oficina e loja de seu pai. Para ela importam a transparência das coisas e os mundos planos superpostos e sobrepostos como os reflexos que também gravou na memória de árvores e nuvens na água do rio.

O pintor, desenhista e gravador Abelardo Zaluar demonstra interesse permanente pela geometria. É um universo constituído e rigorosamente executado em detalhes que se imbui do traço-espaço orgânico. Ora introduz um detalhe, ora subtrai um espaço jogando com as tensões de cor e de planos, dando um novo dinamismo e um respiro necessário para a expressividade da obra. Seus trabalhos voltados para um olhar singular da paisagem e da precisão das formas geométricas denotam emoção e despojamento. O suporte é sempre o quadrado como formato essencial, fazendo dele surgir súbitas sinuosidades que se expandem em composições equilibristas e plenas de diversidade.

Saiba mais

Abertura da 5ª Temporada de Exposições no MAB

Quando: quinta-feira, 7 de novembro

Horários:

19h: conversa com os artistas expositores

20h: abertura da 5ª Temporada de Exposições do MAB, lançamento de livros, declamação de poemas, apresentação de documentário e show musical

Visitas: até 16 de fevereiro, de terça-feira a domingo, das 10h às 16h. Visitas mediadas podem ser marcadas pelo telefone 3381-6176

Classificação indicativa de idade: Livre

Entrada franca

As mostras:

Domingo, de João Paulo (Curitiba/PR)

Sempre Viva, de Nathan Braga (Rio de Janeiro/RJ)

Redesenhando a paisagem, de Cláudia Lyrio (Rio de Janeiro/RJ)

Orifícios, de Patrícia Pontes (São Paulo/SP)

Sacré Coeur de Marie, de Maria do Carmo Verdi (São Paulo/SP)

Gravuras do acervo do MAB: obras de Abelardo Zaluar, Doraci Girrulat, Elke Hering, Juarez Machado, Maria Bonomi, Renina Katz e Roy Kellermann

 

Lançamentos de livros

Arte, Estética, Educação – uma perspectiva tridimensional e mural cerâmico: marco de superação pela arte, de Roseli Moreira

Culinária Alemã do Vale do Itajaí –  A Hora do Lanche, de Artur Ellinger e Hellamari Hohl

Águas Passadas Movem Moinhos, de Henrique Pagnoncelli

Assessor de Comunicação: Sérgio Antonello