Secretaria de Saúde alerta para novos casos de HIV
Há 20 anos, P.S, 47, convive com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Uma simples queda de cabelo e inchaço nos lábios o levou a procurar um clínico geral. Ele acreditava ser uma alergia, mas depois de contar ao médico que teve relações sexuais sem camisinha, foi encaminhado para um infectologista, que de imediato providenciou o teste de HIV. Desde então, após descobrir que estava contaminado pelo vírus, P.S, consome diariamente três tipos de remédio, além de fazer o acompanhamento semestral. "Eu quis viver. Tinha apenas 27 anos. Foi difícil aceitar, mas dei a volta por cima. Tomo os remédios todos os dias e pratico esportes e uma alimentação equilibrada", comenta.
Em Blumenau, no ano passado, o número de infectados com a doença chegou a 336 pessoas. Desses, 74 eram mulheres de 25 a 50 anos, e 178 homens de 20 a 45 anos. Segundo dados do Centro Especializado em Diagnóstico, Assistência e Prevenção (Cedap), os idosos também representam um número expressivo, totalizando 14 casos entre homens e mulheres. Para o coordenador do Cedap, Edison Möbbs, o número de casos de HIV contraído na terceira idade é alto e o motivo é a não utilização do preservativo. "Muitos idosos usam estimulantes para ter uma vida sexual mais ativa e se esquecem de colocar a camisinha, pois quando eram jovens não tinham este hábito", comenta.
No primeiro semestre de 2015, já foram realizados no Cedap 4.311 testes rápidos de HIV, dos quais 176 tiveram resultado positivo. "Antes da criação do Centro Especializado em Diagnóstico, Assistência e Prevenção, todo o processo para o início do tratamento levava cerca de três meses. Agora, o paciente pode fazer todo esse procedimento em uma semana", comenta o coordenador. Diferente de 2014, o número de idosos que contraíram o vírus somou até o momento quatro casos. "A redução deste número deve-se em muito às campanhas educativas realizadas pela Prefeitura de Blumenau. São palestras em empresas privadas, escolas e casas noturnas da cidade", explica.
Teste Rápido
O teste rápido é feito por meio de coleta de sangue. Ele é gratuito e está disponível a toda comunidade. A grande novidade é a coleta por "swab", ou seja, por saliva. "É um teste feito com o auxílio de uma haste coletora. O fluído do teste oral é retirado da gengiva. Em 30 minutos o paciente já tem o resultado em mãos. O teste é exclusivo para HIV", comenta o coordenador Edison. O vírus está presente na saliva somente para diagnóstico, mas não tem a quantidade de vírus suficiente para contaminar outra pessoa.
Para fazer o exame, não é necessário encaminhamento médico e nem agendamento de horário. O usuário pode se dirigir ao Cedap, na rua Paraíba, 380, apenas com um documento com foto. O horário de atendimento é de segunda a sexta-feira das 7h30 às 18h, sem fechar para o almoço. O teste rápido pode ser feito também para exames de Sífilis e Hepatite B e C.
Quando um cidadão realiza o teste de HIV no Cedap, o paciente é acolhido por um aconselhador, que pode ser um psicólogo, enfermeiro ou um assistente social. Esse acolhimento é feito tanto com aqueles que são diagnosticados soro positivo, como os que não foram contaminados pelo vírus. "Quando um paciente começa o tratamento no centro, ele pode ter uma assistência psicológica ilimitada", afirma o coordenador. O Cedap oferece, ainda, assistência médica, serviço social, enfermagem e farmacêutica totalmente gratuita.
Transmissão, tratamento, prevenção e sintomas
O vírus do HIV não se transmite por suor, saliva, beijo, picada de mosquito, uso coletivo de banheiros, toalha, sabonete e assento de ônibus ou qualquer outro meio que não envolva penetração sexual sem o preservativo, uso de agulhas ou produtos sanguíneos infectados. "A prevenção é importante mesmo com parceiros fixos. Recebemos semanalmente casos de pessoas casadas que foram infectadas pelos seus cônjuges", comenta Möbbs.
Existe também a possibilidade da transmissão da mãe infectada para o feto durante a gestação e o parto (HIV congênito), por isso é importante o tratamento no pré-natal, para que o bebê nasça saudável. "As gestantes devem obrigatoriamente fazer o teste de HIV. Se estiverem infectadas, é preciso começar logo o tratamento para evitar que o vírus seja transmitido para o feto. É possível para uma mulher infectada engravidar e dar à luz a um bebê livre do vírus", ressalta.
Os sintomas, segundo o coordenador do Cedap, nem sempre aparecem no início da contaminação, podendo levar anos até a manifestação de doenças oportunistas que neste caso caracterizam a Aids. "É importante fazer o teste sempre que tiver alguma situação de risco, e não aguardar o aparecimento de sintomas ou sinais", alerta Edison.
HIV no Brasil e em Santa Catarina
O coquetel, usado para evitar que o vírus fique mais forte e facilite o surgimento de outras doenças, começou a ser prescrito para os portadores de HIV em 1995. Na época em que P.S descobriu que era soro positivo, o coquetel tinha que ser pago. "Eu pagava R$800 dois frascos por mês, agora todo esse tratamento é de graça", lembra. Dados de 2013, divulgados este ano pelo Ministério da Saúde, apontam que mais de 700 mil brasileiros convivem com o vírus e 404 mil pessoas aderiram ao tratamento.
Em Santa Catarina, segundo a Secretaria de Estado de Saúde, 20.625 pessoas vivem com HIV/Aids, sendo 360 crianças. Em Blumenau, o número de jovens de 15 a 24 anos é de 58 pessoas contaminadas em 2014, sendo 47 do sexo masculino e 11 do feminino. Em 2015, de janeiro a junho, já são 30 novos casos.
Diante deste cenário, a gerente de Vigilância Epidemiológica, Ivonete dos Santos, alerta para os cuidados necessários. “O vírus pode ser transmitido pelo sangue, pelo sêmen, pela secreção vaginal e também pelo leite materno. Por isso é importante usar sempre o preservativo e fazer o teste de HIV, que é oferecido gratuitamente no Cedap. É preciso se cuidar e se tratar. O caso do P.S, que já convive com o HIV há 20 anos, é um dos muitos que temos por aí. Se o tratamento for feito corretamente, as chances de melhoras serão um sucesso”, explica.
Assessora de Comunicação: Franciele Back
