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Relatório mostra que a bactéria Wolbachia está estabelecida na maioria da população de mosquitos Aedes aegypti em Blumenau

Resultados reforçam a expectativa de que o método possa reproduzir os impactos observados em outras cidades

Relatório mostra que a bactéria Wolbachia está estabelecida na maioria da população de mosquitos Aedes aegypti em Blumenau

Blumenau registra os primeiros resultados positivos do Método Wolbachia no combate à dengue. Relatório preliminar aponta que a maioria dos mosquitos Aedes aegypti monitorados no município já apresenta a bactéria Wolbachia, sinal de que ela se estabeleceu na população local de insetos. Os dados foram obtidos em nove coletas realizadas entre setembro de 2025 e maio deste ano.

O método consiste em introduzir nos mosquitos uma bactéria que impede a proliferação do vírus causador da dengue, da zika e da chikungunya. Durante a primeira fase do projeto, parceria entre a Prefeitura de Blumenau, a Wolbito do Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Ministério da Saúde, foram liberados 116.236 potes de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia.

Os bairros contemplados foram Água Verde, Fortaleza, Garcia, Itoupava Norte, Itoupava Seca, Itoupavazinha, Progresso, Tribess, Velha, Velha Central e Vila Nova, área de 58,4 quilômetros quadrados que reúne mais de 170 mil pessoas. As regiões foram escolhidas de acordo com dados epidemiológicos do município, priorizando as de maior incidência de focos e casos confirmados de dengue.

"Os primeiros resultados mostram que a estratégia está funcionando como planejado e que a Wolbachia conseguiu se estabelecer no território. É uma notícia muito positiva para Blumenau, mas precisamos ter a responsabilidade de entender que este ainda é um resultado preliminar. O acompanhamento continua e será fundamental para consolidarmos os efeitos da estratégia sobre a transmissão das arboviroses", afirmou o secretário de Promoção da Saúde, Marcelo Lanzarin.

Os resultados reforçam a expectativa de que o método possa reproduzir em Santa Catarina os impactos observados em outras cidades. Em Niterói (RJ), houve redução de 89% nos casos de dengue; em Campo Grande (MS), queda de 63%. A eficácia é avaliada em médio prazo, de dois a três anos após o encerramento das liberações.

"O trabalho com o Método Wolbachia funciona e o maior diferencial é a construção conjunta com pessoas e organizações. Já temos evidência desse bom trabalho com o estabelecimento da Wolbachia em Blumenau e agora aguardamos os resultados que certamente seguirão o que já estamos vendo no Brasil e no mundo", disse o gerente de implementação da Wolbito do Brasil, Gabriel Sylvestre.

Mesmo com as novas tecnologias, a Secretaria de Promoção da Saúde reforça que o combate ao Aedes aegypti continua com a participação da comunidade. Eliminar recipientes com água parada e outros possíveis criadouros segue fundamental para reduzir a proliferação do mosquito e complementar as estratégias de controle do município.