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Vem aí a 5ª Temporada de Exposições do MAB

Vem aí a 5ª Temporada de Exposições do MAB

A prefeitura e a Fundação Cultural de Blumenau convidam para a abertura da 5ª Temporada de Exposições no Museu de Arte de Blumenau (MAB). A cerimônia de instalação será no dia 4 de dezembro, com a abertura das exposições Cultura x Natura, de Cássio Leitão; Tempo e Deslocamento, de Fernanda Figueiredo e Eduardo Mattos; Ponto de Fuga, de Alexandre Silveira; Um pedaço desapareceu, de Pakawon T. Martin; Cidades Perdidas, de Valentina Fernandes; Imagens Urbanas de Júlia Mota e Urbanidade de Roberto Müller.

Na mesma noite ocorre no Mausoléu Dr. Blumenau a abertura da exposição Presépios Artesanais e Memórias Natalinas, de Marlene da Silveira (Imamaiah). O Espaço Kan e o Coral Santa Cecília abrilhantam a abertura das exposições com apresentação no Mausoléu. Ana Carolina Peres Batista participa do evento com o lançamento de seu livro "Lar, Doce Barata". A entrada é franca.

 

A promoção tem início às 18h, no Mausoléu Dr.Blumenau, e às 19h tem a tradicional conversa com artistas. Professores, arte-educadores, coordenadores pedagógicos, artistas, alunos de arte e comunidade em geral estão convidados a participar.

 

 

As obras

 

 

Sobre “Cultura x Natura”, Juliana Monachesi escreve: "Os desastres naturais, na série recente de pinturas de Cássio Leitão, não são um tema propriamente dito. Funcionam mais como motivo, como subterfúgio para pintar essas formas um tanto disformes e essas cores enevoadas, senão soturnas de tudo. O artista parte de fotografias de catástrofes para compor as telas, mas elege predominantemente ângulos fechados, que fazem o olhar patinar pela superfície da pintura, sem saber qual a escala dos destroços. Contribui para a sensação "deslizante" o fato de que o artista carrega nas tintas e não se sente, em momento algum, preso ao assunto, apegado a verossimilhanças”.

 

Juliana diz ainda que a escolha desse assunto, então, parece sugerir um desejo de abstração. Afinal, poucas formas são mais indefinidas do que a de escombros de construções arrastados pela força da natureza e depositadas sem hierarquia nenhuma uns em cima dos outros a quilômetros do local original onde se erguiam antes do desastre. “Reforça-o (o suposto desejo de abstração) a indefinição entre pincelada e desenho nas pinturas da série. Não há vestígios de desenho anterior na tela, mas as formas construídas apenas com a cor são, eventualmente, conectadas por uma pincelada unificante, que parece contorno e remete a desenho”.

 

Finalmente, vale notar nesta série, a paleta tipicamente paulistana de algumas pinturas, com tons rebaixados e ausência de preto. Além, claro, da opção do artista por, em certas telas, deixar visível um fragmento de uma obra anterior que estava por baixo da pintura final. Segundo o próprio Cássio, não lhe interessa partir do zero quando vai iniciar uma tela. “Um bom começo para uma trajetória longa que, agora, deslanchou!"

 

A mostra “Tempo e deslocamento”, da dupla de artistas paulistas Fernanda Figueiredo e Eduardo Mattos reúne 11 fotografias e 71 desenhos de grafite sobre papel. Conta com a edição de um catálogo com imagens e texto de Bruno Mendonça, com tiragem de mil exemplares que posteriormente serão distribuídos em território nacional.

 

"Tempo e deslocamento" é composto por trabalhos que adotam a fotografia e o desenho para criar espaços reais e fictícios permeados por um pensamento crítico em relação ao homem e seu convívio com a natureza. As fotografias são de caráter documental e os desenhos, apesar do seu realismo, propõem outros sentidos para o espaço retratado construindo ideologicamente o conceito dos trabalhos. As seis obras que integram a exposição foram desenvolvidas durante uma residência artística na Irlanda em 2013 (Fire Station Artists Studios, Dublin) e teve sua inspiração neste cenário de natureza poderosa em contraste com o horizonte urbano das cidades de Dublin e Belfast, seus grandes portos e suas estruturas industriais.

 

Apesar de criadas na Irlanda, essas obras juntas expõem um conjunto de ideias que transpassam a fronteira do território dado que suas narrativas abordam temas de relevância coletiva: a manipulação do mundo natural pelo homem, a maneira como ele o utiliza e ao mesmo tempo sua impotência em relação à força da natureza reforçando as hierarquias intercambiáveis homem-natureza, natureza-homem. O projeto Tempo e Deslocamento foi aprovado pela Funarte e  contempla acessibilidade com textos e etiquetas em Braille, áudio-guias e intérprete em Libras na conversa com os artistas na noite de abertura.

 

Na Sala Elke Hering, o paulista Alexandre da Silveira traz a exposição Ponto de Fuga.  Nela, o artista visual investiga, através de objetos, instalações e vídeos as variadas formas de construção, seja de um pensamento, de um objeto, ou de um espaço, a partir da destruição e da desmontagem dos seus elementos, tencionando seus limites e suas impossibilidades de concretização.

 

Na Galeria Alberto Luz, Pakawon T. Martin, artista Tailandesa residente em Blumenau, apresenta a mostra "Um pedaço desapareceu!" Segundo Pakawon, seu trabalho simboliza a luta do ser humano para realizar seus desejos. "As  coisas são mais doces quando estão perdidas, ironicamente, quando são encontradas nada mais são que pó.”

 

Ela apresenta esta exposição em duas linhas de trabalho: o primeiro conjunto é de colagem de fotografias e objetos - mistura passado e presente, realidade e ilusão, em três dimensões, exibidas em caixas de madeira e vidro. O objetivo é transmitir a ideia de experiências físicas na vida. Na segunda etapa apresenta o desenvolvimento de trabalhos de colagem utilizando pintura a óleo em telas, representando idéias e sentimentos em ondas abstratas e de emoções inexplicáveis. A série foi expressa de forma narrativa, numa sequência, como uma viagem.

 

Ainda na Galeria Alberto Luz, a paulistana Valentina Fernandes traz a exposição Cidades Perdidas. Arqueologia da Memória, série Aquário. Olívia Ardui, mestre em História da Arte pela Universidade de Louvain La Neuve, Bélgica, escreve: "A fotografia, pela sua imobilidade e capacidade de congelar um instante do passado para conservá-lo no futuro, foi comparada ao gelo pelo teórico Peter Wollen. Consequentemente, a memória se tornou um paradigma dessa linguagem. Essa compreensão da fotografia como evocação da memória é um dos eixos que estrutura a obra da artista visual Valentina, a qual desenvolveu uma pesquisa autoreflexiva sobre essa técnica, em todas as sua simplificações estéticas e filosóficas.

 

A série Aquário, na qual ela trabalha desde 2010, é uma emblemática da reflexão sobre o status da fotografia como fator amnésico. Em primeiro lugar, a matéria de base dessas obras remete à função da fotografia como suporte de memória afetiva e familiar. Efetivamente, a série foi concebida a partir de clichês antigos, anônimos e familiares, ou paisagens e retratos produzidos pela artista. A partir dessa matéria de base, as diferentes partes de composição das imagens são recortadas, de maneira que seus diferentes planos se destaquem.

 

As fotografias são então recompostas, mas a cada novo fragmento um vidro é entreposto, criando assim um objeto em camadas. Portanto, não só o tema e o valor afetivo das fotografias de base evocam a memória, mas o dispositivo escolhido pela artista também lembra a sua estratificação e estrutura fragmentária. O resultado final é a representação de um espaço em três dimensões a partir da tecnologia fotográfica analógica e bidimensional. Mais uma vez, um paralelo pode ser traçado entre o trabalho da artista e a rememoração. De fato, a memória não somente armazena eventos como também aviva lembranças. Assim, esses Aquários materializam, com uma carga poética e nostálgica, memórias que adquirem vida e corpo. Dessa forma Valentina Fernandes, tal como uma arqueóloga, traz à superfície artefatos do passado.

 

Na Galeria do Papel, Júlia Mota, que reside e trabalha em São Paulo, traz a exposição Imagens Urbanas, estudos sobre o vazio. O tema central de sua obra é a cidade contemporânea. Na busca por uma essência, por uma estrutura fundamental na paisagem fragmentada da metrópole, a artista cria pinturas e gravuras a partir de registros de situações cotidianas encontradas nos grandes centros urbanos. O que a move é o desejo de transformar a realidade desses ambientes e, para isso, sintetiza aquilo que vê em volumes e planos sobrepostos e entrecruzados, transparentes e abertos. Não pensadas em sua totalidade, as cidades contemporâneas parecem ser estruturadas pelo somatório de ações individuais, onde cada um constrói da forma que bem entende. A rua, lugar do exercício da cidadania, torna-se palco para o espetáculo do privado. O resultado disso é uma paisagem caótica, mesmo que bela em sua agressividade. Assim, é na constante justaposição de estilos, tempos e diferentes usos dos espaços que a artista encontra a sua questão.

 

Roberto Müller vive e trabalha no Rio de Janeiro e de lá traz a mostra Urbanidade, onde os trabalhos com objetos abordam observações e críticas aos indivíduos nos centros urbanos. Na busca incessante pela felicidade, consciente ou inconsciente, o artista engata uma marcha frenética contra o tempo, preocupado com o amanhã, com a falta de tempo ou dinheiro. Neste sentido as pessoas ficam cada vez mais vazias O conjunto de obras narra uma visão crítica do viver nos grandes centros urbanos: a correria do dia-a-dia, a ganância, o desprezo pelo próximo, as castas e classes sociais, a falta de segurança, o confinamento nas habitações atuais, a procura pela companhia, a competitividade e por fim a morte. Todas estas questões são abordadas nesta série de objetos, expostas na Sala 30 do MAB.

 

No Mausoléu Dr. Blumenau, Marlene da Silveira a Imamaiah apresenta a exposição Presépios Artesanais e Memórias Natalinas. Através dos presépios elaborados artesanalmente e de pinturas sobre  painéis, Marlene nos faz refletir sobre  os valores do Natal.

 

 

Serviço

 

Abertura da 5ª Temporada de Exposições no MAB

Data: 4 de dezembro, quinta-feira

Horários:

18h: abertura da exposição Presépios Artesanais e Memórias Natalinas no Mausoléu Dr. Blumenau, com a apresentação musical pelo Espaço Kan e Coral Santa Cecília

19h: conversa com os artistas expositores

Local: Fundação Cultural de Blumenau - Salas do MAB

20h: abertura da 5ª Temporada de Exposições do MAB e lançamento do livro Lar Doce Barata de Ana Carolina Peres Batista

Visitação: até 13 de fevereiro. De terça-feira a domingo, das 10h às 16h

Visitas mediadas podem ser marcadas pelo telefone 3381-6176

Entrada franca

 

 

Assessor de Comunicação: Sérgio Antonello