Memória Digital: 200 anos Dr. Blumenau
“Pequeno era o nosso lar, pequeno e muito modesto, em que o nosso pai levou a nossa mãe em novembro do ano de 1869. Ele tinha muito pesar, por não poder oferecer a ela uma casa melhor, porque na casa grande que o pai dela possuía em Hamburgo, ela foi muito mimada. (...) O nosso pai sempre tinha a intenção de construir uma linda casa no Morro do Aipim, que pertencia a ele. (...) Mas o tempo passou e a construção nova não se realizou e os meios financeiros foram necessitados para outros fins. (...) A casa era de um andar e sem porão, mas tinha um fastígio em cima dos quartos. Como é uso por causa do calor em países tropicais e também em Blumenau, as salas eram separadas da cozinha. Dois aposentos existiam na parte da frente, que serviam de sala de estar e quartos de dormir, um terceiro quarto foi construído quando a família aumentou, ele era mais alto e tinha uns degraus, assim serviu o lugar em baixo como porão. Coberta era a casa de largas ripas de madeira, que deram a ela um ar aconchegante. (...) O edifício atrás da casa se compunha de uma grande cozinha e uma grande e bonita sala de refeição, na qual as crianças tinham os brinquedos e aonde nós mais parávamos. Nos fundos tinha mais dois quartos e isto era tudo. (...) Tão modesta como os aposentos era também a pouca e escassa mobília, mas tudo era muito aconchegante. Eu me lembro ainda de um bonito sofá de couro, onde sentado, o meu pai de noite costumava ler seu jornal...” Trecho extraído da carta escrita por Christine Blumenau e publicada em 1929, no Jornal Blumenauerzeitung. (Fonte: Fundação Cultural de Blumenau / Arquivo Histórico José Ferreira da Silva / Blumenau em Cadernos, 1976, TOMO XVII, pág. 45)
