Memória Digital: Carrocinha de leite - poema de saudade
“... Blim, blim, blim. Seus cavalinhos trotam alegres, ao compasso do bater dos latões de leite. Na carrocinha ao pé de uma cancela, pula da boleia o rapaz louro. Apanha o latão de leite que a mulher do colono pusera à beira da estrada, muito antes de ir fazer o café para o marido e a filharada. Torna a carrocinha a pôr-se em movimento, ao resfolegar dos zainos bem nutridos, batendo as ferraduras contra o macadame do caminho, para parar em outra porteira, colher outro latão de leite, que outra colona colocara à beira da estrada, muito antes que a barra do dia clareasse o fundo dos morros do meu vale natal... Parece que é o próprio fantasma do passado que vem de longe, parando de porteira em porteira, juntando lata por lata... a sacudir as rédeas dos cavalinhos mansos... nas frescas manhãs da minha terra. Blim, blim, blim...”
Fonte: Arquivo Histórico José Ferreira da Silva/Revista Blumenau em Cadernos, janeiro 1959, p. 23. Tomo II/Fundação Cultural de Blumenau
