Profissionais das secretarias municipais do Meio Ambiente (Semmas) e da Cultura e Relações Institucionais (SMC) identificaram um cogumelo gigante e raro em uma das trilhas do Horto Botânico Edith Gaertner. O achado ocorreu em janeiro durante o trabalho de catalogação e colocação de placas de identificação das árvores existentes no local. Essa atividade está em andamento e faz parte da fase inicial do projeto que prevê o mapeamento das espécies raras e centenárias existentes naquela área do Centro Histórico.
O fungo Kusaghiporia talpae, medindo 75 centímetros de diâmetro, se desenvolve sobre troncos, galhos ou madeira morta, contribuindo para a degradação da lignina e da celulose. Sua presença é indicativa de ambientes com disponibilidade de substrato lenhoso e condições adequadas de umidade, podendo ocorrer em áreas florestais ou com vegetação arbórea consolidada.
Essa espécie tende a aparecer nos meses de janeiro e fevereiro, com duração aproximada de três semanas. No caso do fungo descoberto no Horto Botânico Edith Gaertner, os estudiosos suspeitam que já possua cerca de três meses.
De acordo com o professor doutor da Universidade Federal de Santa Catarina, Elisandro Ricardo Drechsler dos Santos, a biologia do fungo Kusaghiporia talpae ainda não é completamente compreendida. “A espécie pertence à família Laetiporaceae, conhecida por reunir fungos frequentemente associados ao parasitismo de madeira”, informa.
No entanto, no caso de Kusaghiporia talpae, há particularidades que tornam sua ecologia desafiadora do ponto de vista científico. “O fungo se desenvolve na raiz de uma planta, o que dificulta a identificação precisa das espécies de plantas às quais pode estar associado”, destaca Drechsler. “Essa característica levanta questionamentos sobre seu papel ecológico e sobre a natureza da interação estabelecida com o hospedeiro”.
Atualmente, pesquisadores investigam a possibilidade de que o fungo esteja relacionado às raízes de espécies de canela. “Dá para dizer que é tão raro que tem poucas informações sobre ele. Nosso espécime vai ser valioso para que os estudos sejam efetuados, já que não se vê muitos desses por aí”, menciona o educador ambientalista da Semmas, Jefferson Ribeiro.
Para ele, o aparecimento dessa espécie é importante porque amplia o conhecimento sobre um fungo ainda pouco conhecido. “É um lembrete de que ainda sabemos pouco sobre a biodiversidade que nos cerca. O surgimento desse cogumelo chama atenção para a importância dos fungos, organismos frequentemente inviabilizados nas discussões sobre meio ambiente”, observa o educador.
Esses organismos são extremamente relevantes para o equilíbrio dos ecossistemas, pois desempenham papéis essenciais na saúde do solo, atuando também como decompositores, transformando matéria orgânica, como folhas e madeira, em substâncias mais simples. “Nesse processo, reciclam nutrientes importantes, como carbono, nitrogênio e fósforo, que retornam ao solo e podem ser absorvidos novamente pelas plantas”, diz Jefferson Ribeiro. “Além disso, muitos possuem características particulares, formando associações simbióticas chamadas de micorrizas, em que se interagem com as raízes das plantas, promovendo o aumento da eficiência na absorção de água e nutrientes pelos indivíduos”.
Quando uma espécie pouco conhecida aparece abre-se uma oportunidade concreta de aprofundar estudos, investigar interações ecológicas e compreender melhor as conexões que mantêm o ambiente saudável. “Para nós, o aparecimento desse cogumelo reforça a necessidade de investir em pesquisa e educação ambiental. Afinal, proteger a natureza começa por conhecê-la e, muitas vezes, é um cogumelo que nos convida a olhar para ela com mais atenção”.
Outros organismos de interesse ambiental como flores e folhagens também serão identificados, assim como os animais que circulam no Horto Botânico Edith Gaertner. A meta dois do projeto em andamento prevê a elaboração protocolos para a conservação do espaço e das espécies existentes na área verde do Centro Histórico.
Assessor de Comunicação: Sérgio Antonello
postada em 26/02/2026 11:34 - 527 visualizações
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